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Marcas de Infância: Por que o "se sujar" é parte do currículo?

​No cotidiano da Criarte, acreditamos que o pátio, a terra e o gramado são extensões da sala de referência. É comum que, ao final do dia, nossos pequenos levem para casa um pouco desse universo em suas roupas e calçados.


Entendemos que o cuidado com a higiene é fundamental, mas acreditamos ser ainda mais importante compreender o que essas "manchas" representam no desenvolvimento infantil.


​O Desenvolvimento Sensorial e a Natureza

O contato direto com elementos naturais (terra, areia, grama, água) é o que a pedagogia moderna chama de alfabetização sensorial. Segundo Richard Louv, autor do aclamado livro "A Última Criança na Natureza", a privação desse contato gera o que ele define como "Transtorno de Déficit de Natureza", que impacta a criatividade e a saúde emocional.


​"A natureza não é apenas um cenário; é um material pedagógico vivo que estimula sinapses que nenhuma tela ou brinquedo plástico consegue alcançar." — Richard Louv.

​A Ciência por trás do Brincar

Estudos da Teoria das Partículas de Sujeira (Hygiene Hypothesis) sugerem que a exposição moderada a microrganismos naturais ajuda a fortalecer o sistema imunológico das crianças, prevenindo alergias e asma no futuro.


​Além disso, a Abordagem Reggio Emilia, uma das maiores referências mundiais em educação infantil, enfatiza que a criança possui "cem linguagens". A exploração tátil é uma delas.


Quando uma criança sente a textura da lama ou a temperatura da grama úmida, ela está realizando investigações científicas primárias: densidade, viscosidade e clima.

O Papel da Escola e o Papel da Família na Higiene


​Para que a nossa parceria funcione em harmonia, é importante delimitarmos onde termina a rotina escolar e onde começa o ritual do lar. Na Criarte, nossa prioridade é a higiene funcional e pedagógica:


​O que fazemos: Monitoramos constantemente o conforto das crianças. Lavamos mãos e rostos antes e após as refeições e atividades; garantimos que as trocas de fraldas e roupas sujas (por necessidades fisiológicas ou molhadas) ocorram com agilidade, mantendo sempre a integridade e a saúde da criança.


O que preservamos para o lar: O banho, a limpeza profunda de resquícios de vivências externas (como terra nos pés ou areia no cabelo) e a troca completa de roupa são rituais que pertencem à casa.


​Por que não damos banho ou trocamos a roupa na escola?

  • Tempo Pedagógico: Cada minuto gasto em um banho ou troca de roupa individual é um minuto a menos de interação, mediação de conflitos e aprendizado lúdico. Nossa equipe está focada em educar.


  • Autonomia e Intimidade: O banho ou a troca da roupa é um momento de profunda intimidade. Acreditamos que esse ritual de "desaceleração" deve ocorrer no ambiente familiar, sendo um elo importante de conexão entre pais e filhos após a jornada escolar.


  • Saúde: Ambientes coletivos de banho não são recomendados pelas diretrizes de vigilância sanitária escolar para este segmento, visando a segurança física e térmica das crianças.


​Nosso Compromisso


Pedimos o apoio das famílias para que enviem as crianças com roupas confortáveis e que possam ser usadas livremente.


Vejam na "sujeira" do pé ou da meia o sinal de um dia rico em conexões e vivências. Uma criança que volta "limpa demais" de um espaço de natureza, talvez tenha sido privada de explorar seu potencial máximo naquele dia.

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